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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Comedimento, o prazer precisa ter limites.

Todos aqueles que atingiram uma superioridade universalmente reconhecida possuem um traço em comum, reconheceram o valor das coisas simples, souberam limitar o prazer e por isso conseguiram fazer grandes coisas impossíveis aos homens comuns. Todos eles nos apontaram um caminho.

É o que se aprende, ou o que se deveria aprender, quando nos são cerceadas as condições materiais ideais, na velhice, na pobreza ou na deficiência física. Os religiosos que tomam atitudes radicais de enclausuramento e renúncia à vaidade, tentam forjar essa simplificação da vida para conquistarem a tranqüilidade e a profunda felicidade no ‘suficiente’, tal como Buda. No outro extremo, a juventude secular, no afã de conseguir a felicidade na superfície, a qualquer custo, perde-se num emaranhado de prazeres que nunca serão suficientes, um poço sem fundo. Atitude que a leva a contrair os maiores e mais perigosos comprometimentos na vida, dos quais somos todos testemunhas e autores.

Há que se buscar o meio termo entre esses extremos. Não podemos perder o convívio com a sociedade, pois são os conflitos sociais que nos aprimoram como seres humanos. Por outro lado, devemos estar atentos para as lições dos sábios: querer a máxima felicidade nos faz perder a mínima. A insatisfação gerada leva a querer sempre mais e nos insensibiliza para as pequenas felicidades alcançadas de tal forma que não vivemos o agora, tampouco o próximo momento, estamos sempre ansiosos por algo que, quando chega, não percebemos. Aqueles que vivem no amanhã fatalmente dirão: “eu era feliz e não sabia”.

sábado, 2 de outubro de 2010

EUTROFIZAÇÃO.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Poluição da água.

Eutrofização • Hipóxia (Ambiente) • Poluição marinha • Detritos marinhos • Acidificação oceânica • Maré negra • Poluição por barcos • Escorrência superficial • Poluição térmica • Águas residuais • Água inquinada • Qualidade da água • Águas estagnadas

Em ecologia, chama-se eutrofização ou eutroficação ao fenômeno causado pelo excesso de nutrientes (compostos químicos ricos em fósforo ou nitrogênio) numa massa de água, provocando um aumento excessivo de algas. Estas, por sua vez, fomentam o desenvolvimento dos consumidores primários e eventualmente de outros elementos da teia alimentar nesse ecossistema. Este aumento da biomassa pode levar a uma diminuição do oxigênio dissolvido, provocando a morte e consequente decomposição de muitos organismos, diminuindo a qualidade da água e eventualmente a alteração profunda do ecossistema.

O termo vem do grego "eu", que significa bom, verdadeiro e "trophein", nutrir. Assim, eutrófico significa "bem nutrido" e opõe-se a oligotrófico, a situação contrária em que existem poucos nutrientes na água, como acontece, em geral, nas águas oceânicas.

Estes processos podem ocorrer naturalmente, como consequência da lixiviação da serrapilheira acumulada numa bacia de drenagem por fortes chuvas, ou por ação do homem, através da descarga de efluentes agrícolas, urbanos ou industriais no que se chama "eutrofização cultural".

Eutroficação é aparente pelo aumento de turbidez na parte norte do Mar Cáspio.As principais fontes de eutrofização são as atividades humanas industriais, domésticas e agrícolas – por exemplo, os fertilizantes usados nas plantações podem escoar superficialmente ou dissolver-se e infiltrarem-se nas águas subterrâneas e serem arrastados até aos corpos de água mencionados. Ao aumento rápido de algas relacionado com a acumulação de nutrientes derivados do azoto (nitratos), do fósforo (fosfatos), do enxofre (sulfatos), mas também de potássio, cálcio e magnésio, dá-se o nome de "florescimento" ou "bloom" – dando uma coloração azul-esverdeada, vermelha ou acastanhada à água, consoante as espécies de algas favorecidas pela situação.

Estas substâncias são os principais nutrientes do fitoplâncton (as "algas" microscópicas que vivem na água), que se pode reproduzir em grandes quantidades, tornando a água esverdeada ou acastanhada. Quando estas algas - e o zooplâncton que delas se alimenta - começam a morrer, a sua decomposição pode tornar aquela massa de água pobre em oxigênio, provocando a morte de peixes e outros animais e a formação de gases tóxicos ou de cheiro desagradável. Além disso, algumas espécies de algas produzem toxinas que contaminam as fontes de água potável. Em suma, muitos efeitos ecológicos podem surgir da eutroficação, mas os três principais impactos ecológicos são: perda de biodiversidade, alterações na composição das espécies (invasão de outras espécies) e efeitos tóxicos.

Quando esta situação ocorre, a eliminação das causas da poluição pode levar o ecossistema de novo a uma situação saudável mas, se for um sistema fechado onde antes havia espécies que desapareceram por causa deste problema, será necessária a reintrodução dessas espécies para tornar o sistema semelhante ao que era antes. Estes problemas ocorreram em muitos rios da Europa e ainda não estão totalmente sanados.

Certos sistemas aquícolas promovem a eutrofização dos seus tanques para mais facilmente cultivarem espécies que se alimentam do fitoplâncton. Este prática deve ser extremamente bem controlada – e os resíduos ou efluentes da instalação tratados de modo a evitar a poluição do ambiente em redor.

Ambientes eutróficos podem estar também relacionados a processos naturais sem intervenção antrópica, como ambientes pantanosos, por exemplo.



Referências

↑ Fonseca, krukemberghe "Eutrofização" no site BrasilEscola.com acessado a 12 de outubro de 2009

sexta-feira, 23 de julho de 2010

BAIA DE GUANABARA!

Símbolo maior de nossa condição de fluminenses, a Baía de Guanabara historicamente tem sido vista como elemento separador entre dois estados, entre dois povos, os “cariocas” e os “fluminenses”, mas essa feição geomorfológica é justamente o que nos faz irmãos, é o grande elemento unificador entre nós.

É a Baia da Guanabara que une “o Fundão” e seu centro de pesquisas aos bolsões de miséria do Boassu em São Gonçalo, os manguezais em Guapimirim à praia de Icaraí, o centro de Niterói ao centro da metrópole, os arredores de Magé a Duque de Caxias, afinal são as mesmas águas... É dela que avistamos e somos avistados pela Serra que nos circunda e pelo Cristo Redentor.



Obstáculo natural à circulação terrestre, ainda visto como fronteira entre dois estados, que há muito, por força de lei foram unificados, deve com urgência ser refuncionalizada, uma vez reconhecido seu imenso potencial de ligação entre lugares tão díspares e tão necessários uns aos outros.

A Baía merece um olhar mais atento, sua leitura nos fará perceber o quanto em torno dela vivemos, amamos, morremos e isso nos dará a identidade e o atual significado de ser fluminenses. A investigação da procedência e do destino da imensa circulação diária de mercadorias nacionais e estrangeiras, contrabando, drogas, mão-de-obra, lixo, esgoto, dejetos químicos, pesqueiros, petroleiros nos dará subsídios para entender os territórios que sobre ela estão demarcados, a dinâmica sócioeconômica de nosso lugar, sua inserção no Brasil e no mundo, quais suas perspectivas e a que hierarquias se subordina.





Carlos Alberto Carvalho da Silva.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Enviado por Míriam Leitão e Alvaro Gribel - 17.7.2010

15h00m

Coluna no GLOBO

Fantasma na festa

Por 87 dias o óleo vazou no fundo do mar do Golfo do México. Durante este tempo o mundo pensou seriamente no outro lado do produto: indispensável para a vida moderna, mas capaz de espalhar destruição, morte e ameaçar o próprio Planeta. A festa que o presidente Lula quis fazer tinha uma sombra. Exorcizar o fantasma é melhor do que fingir que ele não existe.



O presidente Lula preferiu atacar este jornal, esquecer fatos, confundir geografia, e apelar ao nacionalismo para tentar manter o mesmo ritmo da festa que havia programado para o dia em que pudesse sujar as mãos no petróleo do pré-sal. Mas o mundo do petróleo mudou nestes quase três meses em que vazaram milhões de barris destruindo vida marinha, estilo de vida de populações, aves, praias e certezas. As estimativas ainda estão imprecisas, mas podem ter vazado até cinco milhões de barris de petróleo; no Exxon Valdez foram 257 mil barris.



Mesmo se for confirmado o melhor cenário que é o de ter estancado definitivamente o vazamento da British Petroleum, os próximos anos serão consumidos na grande operação de faxina na região. O fantasma continuará entre nós, como até hoje há sequelas do vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara há dez anos.



Petróleo é ainda indispensável, mas o mundo caminha para um imposto sobre carbono para tentar empurrar empresas, consumidores e governos para um uso menos intensivo de fontes fósseis e, desta forma, reduzir as emissões dos gases de efeito estufa. É o que garantirá o futuro do Planeta. É bom que o Brasil tenha reservas, as encontre e seja capaz de extraí-las, mas ignorar o alerta dado por essa tragédia é insensatez.



— Este acidente é um marco da história da indústria mundial de petróleo e é fundamental não perder a oportunidade de aprender com os erros dos outros. Nós somos um dos países com maior produção off shore e por isso acho que boa regulação deveria ser pautada por três atributos: inteligência setorial, transparência e comunicação. Acho que a ANP deveria ser pró-ativa, estar todo o dia na mídia mostrando de que forma está acompanhando o acidente e se está ou não pensando em revisar os dispositivos regulares — disse o professor Helder Queiroz Pinto, do Grupo de Economia da Energia da UFRJ.



O prejuízo para a empresa é colossal, e ainda está longe de estar completamente contabilizado. A BP recebeu até agora 100 mil pedidos de indenização, já pagou US$ 201 milhões. Teve que instalar 35 escritórios ao longo do Golfo para receber as reclamações. A companhia foi obrigada a constituir um fundo de US$ 20 bilhões, mas outro de US$ 100 bilhões está sendo criado por determinação do governo. Esses fundos são para garantir os afetados, caso a empresa deixe de existir. O que é uma possibilidade.



O fim do vazamento não é o fim dos seus efeitos. “É como colocar um band-aid em um homem morto”. Foi o que disse o pescador Jeff Ussury numa entrevista ao “New York Times”. Pescadores da região são diretamente afetados e muitos podem ter perdido para sempre a chance de exercer sua atividade.



Diante de tão arrasadoras consequências para as pessoas, empresa, meio ambiente, vida marinha, economia, o melhor a fazer é levar tudo muito a sério. Para isso é que existe o princípio da precaução. Seria bom acreditar que nada disso jamais vai nos acontecer, porque, como diz o presidente: “190 milhões vão ajudar a Petrobras a tirar com carinho esse petróleo do fundo do mar.”



O mais racional a fazer é a empresa prestar informações objetivas sobre o que nos protege contra um risco semelhante, e a agência reguladora se comportar como uma agência reguladora e prestar as informações pertinentes. Mais do que isso, empresa e agência precisam rever processos, equipamentos, rotinas e normas de segurança. A extração de petróleo, no qual o presidente Lula pôs suas mãos esta semana, está longe de ser a prova de que o desafio está dominado. Os outros campos de pré-sal são muito mais profundos do que os do Espírito Santo e representam um desafio tecnológico muito maior.



Por causa do vazamento, a agência Moodys classificou como negativa a perspectiva para o setor de petróleo nos próximos 12 a 18 meses. Ela inclui nesse cenário não só as grandes companhias de petróleo de exploração em águas profundas, como também as menores que fazem exploração em terra. “O derramamento de petróleo no Golfo do México coloca enormes incertezas para companhias de exploração e produção de petróleo.” A agência acha também que os custos ficarão mais altos para as atividades das empresas, e as reservas do fundo do mar perderão valor. A Fitch acha que os bancos exigirão taxas maiores para financiamentos a empresas de petróleo.



O professor Celso Kazuyuki Morooka, do Centro de Estudos de Petróleo da Unicamp, explica que as dificuldades de operação a 1.700 metros de profundidade são semelhantes às encontradas pelos astronautas no espaço. Por isso, tudo foi tão lento no Golfo:



— Todos os procedimentos foram adotados no Golfo, mas o vazamento continuou. Agora a engenharia terá que apurar o que aconteceu e atualizar seus procedimentos de segurança.



É isso: princípio da precaução, reforço da segurança, revisão dos processos, desenvolvimento de novas tecnologias, prestação de contas à população, aos acionistas, aos investidores sobre a situação brasileira. Isso é o mais sensato. O insensato é achar que os outros são incompetentes e os nossos riscos são “assimiláveis”, como disse a ANP a esta coluna. Corre mais risco quem pensa que o risco não existe.

sábado, 17 de julho de 2010

Seres Abissais - Parte 3

E você? Ainda quer desistir?

Faliu no comércio aos 31 anos
Perdeu a eleiçao para deputado estadual aos 32 anos
Faliu novamente no comércio aos 34 anos
Sua esposa faleceu aos 35 anos
Perdeu a eleição para prefeito aos 38 anos
para deputado estadual aos 46 anos
para deputado federal aos 48 anos
para o senado aos 55 anos
Aos 60 anos foi eleito presidente dos Estados Unidos
Seu nome: Abraham Lincoln...

-autor desconhecido.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

REFLEXÕES SOBRE A COPA DO MUNDO E SUAS IMPLICAÇÕES.



Por Cássio Cardozo Silva*



A copa do mundo de futebol é um grande evento esportivo de gigantescas proporções e que desde o seu “nascimento” , em 28 de fevereiro de 1930, tem tomado conta do cenário global. É realizada de 4 em 4 anos representando o auge da atividade esportiva denominada futebol.

No entanto, há questionamentos que devemos analisar com relação à própria natureza de seu caráter, tais como: qual o real objetivo do evento? Quais serão os grupos de interesses envolvidos com sua realização? A copa do mundo de futebol 2010 realizada na África do Sul traz benefícios para toda a população sul-africana? Será que atualmente não ocorre de fato alguma marca do regime segregacionista representado pelo APARTHEID? Dentre muitas outras questões a serem respondidas.

A copa do mundo caracteriza-se por uma disputa acirrada entre grandes grupos empresariais, mascarada em nacionalismo e escondida atrás da paixão de diversos povos para com os times que representam seus países. Portanto, desde a sua criação, o referido evento vem perfazendo-se pela “capitalização”,ou melhor, “mercadorização” do futebol, não fugindo a regra, a copa do mundo de futebol deste ano.

Nesta última, no entanto, todo o luxo e exuberância atribuídos ao suposto evento contrastam com a situação sócio-econômica a qual está submetida a maioria esmagadora do povo africano, que é proveniente de todo um longo processo histórico que se inicia no período colonial (escravidão), passando por importantes momentos sóciopolíticos e ideológicos como o APARTHEID (1948-1992) e chegando aos dias atuais onde vigoram o imperialismo econômico e a imposição cultural provenientes do processo de globalização econômica.

Com relação a este último assunto, podemos mencionar o racionamento de energia imposto a população sul-africana para sustentar a demanda energética exigida ao funcionamento dos estádios, ou melhor, da engrenagem capitalista. Podemos adicionar também a questão da existência de uma segregação racial, herança do regime do APARTHEID e cujo retorno é defendido por muitos indivíduos de cor branca.

Apesar de tudo isso a copa do mundo de 2010 é capaz de gerar empregos para muitos africanos; gerar divisas internacionais (investimentos diretos, conta turismo, etc); proporciona uma maior inserção da África do Sul na economia global, promovendo a divulgação das potencialidades turísticas do continente africano. Embora a maioria desses benefícios seja absorvida por uma parcela elitizada da sociedade.

Conclui-se então, diante dos argumentos apresentados, que a copa do mundo embora traga alguns benefícios à população, carrega em seu bojo uma cortina de interesses de grandes empresas que, por sua vez, geram desigualdades sócio-econômicas por motivos provenientes do próprio caráter do sistema capitalista.





* Cássio Cardozo Silva é aluno da 2ª série do ensino médio do Voltaire Icaraí.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

FÚRIA DE TITANS.

O filme trata da luta do homem por dominar a natureza, aqui representada pelos deuses do olimpo, impondo-lhe uma ordem humana, uma reorganização e controle, ou seja, trata enfim da construção do espaço geográfico que culminará no domínio capitalista onde finalmente a natureza será percebida apenas como um recurso e não mais como um poder em si mesma (o filme não chega a isso.).
Ao desvendarmos as metáforas  percebemos que o deus vingativo, Ades, que foi lançado ao submundo pelo próprio irmão, Zeus, representa as forças do interior do planeta Terra, o magma, as placas tectônicas. Seu filho, o "Crakem", é um tsuname ( lógico, filho do movimento das placas...). As bruxas e seu olho externo que tudo vê  e que dão a informação preciosa ao herói Perseu de como derrotar o crakem, representam a informática.
Sem essa lente fica sem nexo o enredo por ausência de âncora histórica e espacial, vira somente um conto de fadas entre o bem e o mal, que por recorrente se torna enfadonho.
Observa-se a demonização da natureza. Os deuses que a representam estão mais para demônios a atormentarem a vida já penosa dos humanos contrariamente ao que se viu em "Avatar".

terça-feira, 27 de abril de 2010

Entenda a polêmica envolvendo a usina de Belo Monte


Caio Quero
Da BBC Brasil em São Paulo



Manifestação contra a Usina de Belo Monte em Brasília

Após uma batalha judicial que fez com que fosse suspenso por duas vezes, o leilão para decidir qual consórcio seria o responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte foi finalmente realizado nesta terça-feira, com a vitória do grupo liderado por Queiroz Galvão e Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf).

 
Criticada por ambientalistas e representantes de movimentos sociais e encarada pelo governo Lula como projeto prioritário no setor de energia, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte está no centro de uma polêmica.

Enquanto o governo afirma que a nova usina, que tem previsão para entrar em funcionamento em 2015, pode beneficiar 26 milhões de brasileiros, críticos argumentam que o impacto ambiental e social da instalação de Belo Monte foi subestimado e apontam para uma suposta ineficiência da hidrelétrica.

A BBC Brasil preparou uma série de perguntas e respostas que explicam a polêmica em relação à usina.

O que é a Usina Hidrelétrica de Belo Monte?

Com projeto para ser instalada na região conhecida como Volta Grande do Rio Xingu, no Pará, a Usina de Belo Monte deve ser a terceira maior do mundo em capacidade instalada, atrás apenas das usinas de Três Gargantas, na China, e da binacional Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai.

De acordo com o governo, a usina terá uma capacidade total instalada de 11.233 megawatts (MW), mas com uma garantia assegurada de geração de 4.571 MW, em média.

O custo total da obra deve ser de R$ 19 bilhões, o que torna o empreendimento o segundo mais custoso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), atrás apenas do trem-bala entre São Paulo e Rio, orçado em R$ 34 bilhões.

A usina deve começar a operar em fevereiro de 2015, mas as obras devem ser finalizadas em 2019.

Qual a importância do projeto, segundo o governo?

Uma das grandes vantagens da usina de Belo Monte, de acordo com o governo, é o preço competitivo da energia produzida lá.

O consórcio Norte Energia venceu o pregão ao oferecer o preço de R$ 78 pelo megawatt-hora (MWh) produzido em Belo Monte, um deságio de 6,02% em relação ao teto que havia sido estabelecido pelo governo - que era de R$ 83 por MWh.

Segundo o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética, Mauricio Tolmasquim, este teto do governo já representava pouco mais que a metade do preço da energia produzida em uma usina termelétrica, por exemplo, com a vantagem de ser uma fonte de energia renovável.

Além disso, a construção de Belo Monte deve gerar 18 mil empregos diretos e 23 mil indiretos e deve ajudar a suprir a demanda por energia do Brasil nos próximos anos, ao produzir eletricidade para suprir 26 milhões de pessoas com perfil de consumo elevado.

Quem são os grupos contrários à instalação de Belo Monte e o que eles argumentam?

Entre os grupos contrários à instalação de Belo Monte estão ambientalistas, membros da Igreja Católica, representantes de povos indígenas e ribeirinhos e analistas independentes.

Além disso, o Ministério Público Federal ajuizou uma série de ações contra a construção da usina, apontando supostas irregularidades.

Coordenador de um painel de especialistas críticos ao projeto, Francisco Hernandez, pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, afirma que a instalação de Belo Monte provocaria uma interrupção do rio Xingu em um trecho de cerca de 100 km, o que reduziria de maneira significativa a vazão do rio.

"Isso causará uma redução drástica da oferta de água dessa região imensa, onde estão povos ribeirinhos, pescadores, duas terras indígenas, e dois municípios", diz Hernandez, que afirma que a instalação de Belo Monte também afetaria a fauna e a flora da região.

Além das questões ambientais, alguns críticos apontam que a usina de Belo Monte pode ser ineficiente em termos de produção de energia, devido às mudanças de vazão no rio Xingu ao longo do ano.

Segundo Francisco Hernandez, dependendo da estação do ano, a vazão do rio Xingu pode variar entre 800 metros cúbicos por segundo e 28 mil metros cúbicos por segundo, o que faria com que Belo Monte pudesse produzir apenas 39% da energia a que tem potencial por sua capacidade instalada.

Como o governo responde a essas críticas?

De acordo com o diretor de Licenciamento do Ibama, Pedro Bignelli, uma das condicionantes impostas na licença prévia para o empreendimento determina que seja mantida uma vazão mínima no rio.

Além disso, ele afirma que há projetos de preservação da fauna e flora e que as comunidades que forem diretamente afetadas serão transferidas para locais onde possam manter condições similares de vida. Ele também nega que as comunidades indígenas serão diretamente atingidas.

Já em relação à eficiência, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Mauricio Tolmasquim, admite que Belo Monte não produzirá toda a energia que permitiria sua capacidade instalada, mas afirma que, mesmo assim, a tarifa será competitiva o bastante para justificar sua instalação.

Segundo ele, o motivo para a redução na produção de energia está nas modificações feitas no projeto para diminuir o impacto da usina na região.

Qual o histórico do projeto?

As prospecções a respeito do potencial de geração de energia da Bacia do Xingu começaram nos anos 1970, e, na década seguinte, havia a previsão da construção de seis usinas na região, entre elas Belo Monte.

Após protestos de líderes indígenas e de ambientalistas, o projeto de Belo Monte foi remodelado e reapresentado em 1994, com a previsão de redução da área represada, o que evitaria a inundação de terras indígenas.

Depois de uma série de idas e vindas, o Conselho Nacional de Política Energética definiu em 2008 que a usina de Belo Monte seria a única a explorar o potencial energético do Rio Xingu.

Em fevereiro de 2010, o Ibama concedeu a Licença Prévia para Belo Monte, impondo uma série de 40 condicionantes socioeconômicas e ambientais ao projeto.

No dia 20 de abril foi realizado um leilão para decidir qual grupo de empresas seria o responsável pela construção da usina, com a vitória do consórcio Norte Energia, liderado pela construtora Queiroz Galvão e pela Chesf.

Como foi o leilão?

O governo havia estabelecido que o vencedor do pregão seria o grupo que oferecesse o menor preço para a produção do megawatt-hora (MWh) de energia em Belo Monte, respeitando-se o teto estabelecido de R$ 83 por MWh.

O preço oferecido pelo grupo vencedor foi de $ 78 pelo megawatt-hora (MWh), um deságio de 6,02% em relação ao teto que havia sido estabelecido.

Já o valor oferecido pelo consórcio derrotado, que era formado por seis empresas e liderado pela construtora Andrade Gutierrez, não foi divulgado.

De acordo com a Aneel, o leilão durou aproximadamente sete minutos, sendo realizado apenas após a cassação de uma liminar da Justiça Federal do Pará que havia determinado sua suspensão.

Até a semana passada, apenas o consórcio liderado pela Andrade Gutierrez estava oficialmente no páreo, após a desistência do grupo encabeçado por Camargo Corrêa e Odebrecht, no início de abril.

A desistência acendeu a luz amarela no governo, que lançou um pacote de medidas para estimular a participação privada no leilão, entre elas, um desconto de 75% no imposto de renda da usina nos primeiro dez anos de operação, além da ampliação para 30 anos do prazo para o financiamento pelo BNDES, que pode financiar até 80% da obra.

Além disso, os dois consórcios contam com participações bastante relevantes de empresas estatais.

*Colaborou Paulo Cabral, da BBC em Brasíli

sábado, 24 de abril de 2010

BALBINA

Amazonas
29 de janeiro de 2010 | 0h 00

Estadao de S.Paulo
Legado da ditadura militar, a hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, é imbatível no quesito "projetos desnecessários". Inaugurada em 1989, ela inundou 2,6 mil quilômetros quadrados de área de floresta amazônica - o dobro do lago de Itaipu - e sua capacidade de potência (235 megawatts) é 60 vezes menor do que a da hidrelétrica em Foz do Iguaçu e não é capaz nem mesmo de abastecer Manaus.


"A potência é pouca porque a queda de água é pequena, já que a região é muito plana", explica Alexandre Kemenes, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Como se não bastasse, Kemenes, que estudou Balbina em seu doutorado, explica que a floresta em decomposição sob as águas da represa emite hoje 11 vezes mais metano e CO2 do que uma termoelétrica movida a carvão com mesma potência.

"Os troncos de árvores ainda estão lá. No começo se pensou que a floresta seria totalmente decomposta em alguns anos, mas a água ácida da região decompõe o material de forma muito lenta."

Segundo o pesquisador, as bactérias de decomposição se multiplicaram e consumiram grande parte do oxigênio da água, causando a morte dos peixes e também o mau cheiro.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Todas as Cidades, a Cidade.

A cidade moderna são os ecos [de um] labirinto –
presídio complexo de ruas cruzadas e rios aparentemente
sem embocadura – onde a iniciação itinerante
e o fio de Ariadne se mostram tênues ou nulos. Invertendo-
se uma das interpretações do mito, o labirinto
aqui não é a trilha para chegar-se ao centro; é, antes,
marca da dispersão. Indica a vitória do material sobre
o espiritual, do perecível sobre o eterno. Ou mais, o
lugar do descartável e do novo e sempre-igual.
O homem citadino é presa dessa cidade, está enredado
em suas malhas. Não consegue sair desse
espaço denso, uma vez que a civilização urbana espraiou-
se para além dos centros metropolitanos e continua
a preencher grandes áreas que gravitam em torno
desses centros. A partir da Revolução Industrial, o
fenômeno urbano parece ter ultrapassado as fronteiras
das “cidades” e ter-se difundido pelo espaço físico.
O signo do progresso transforma a urbanização
em movimento centrífugo, gerando a metrópole que
se dispersa. Assim, o citadino – homem à deriva – está
na cidade como em labirinto, não pode sair dela sem
cair em outra, idêntica ainda que seja distinta.
GOMES, Renato Cordeiro. Todas as cidades, a cidade. Rio de
Janeiro: Rocco, 1994.

A Vingança da Miséria.


No Brasil das últimas décadas,
a miséria teve diversas caras.
Houve um tempo em que, romântica, ela batia à
nossa porta. Pedia-nos um prato de comida. Algumas
vezes, suplicava por uma roupinha velha.
Conhecíamos os nossos mendigos. Cabiam nos
dedos de uma das mãos. Eram parte da vizinhança.
Ao alimentá-los e vesti-los, aliviávamos nossas consciências.
Dormíamos o sono dos justos.
A urbanização do Brasil deu à miséria certa
impessoalidade. Ela passou a apresentar-se como um
elemento da paisagem, algo para ser visto pela janelinha
do carro, ora esparramada sobre a calçada, ora
refugiada sob o viaduto.
A modernidade trouxe novas formas de contato
com a riqueza. Logo a miséria estava batendo, suja,
esfarrapada, no vidro de nosso carro.
Os semáforos ganharam uma inesperada função
social. Passamos a exercitar nossa infinita bondade
pingando esmolas em mãos rotas. Continuávamos de
bem com nossos travesseiros.
Com o tempo, a miséria conquistou os tubos de
imagem dos aparelhos de TV. Aos poucos, foi perdendo
a docilidade. A rua oferecia-nos algo além de água
encanada e luz elétrica.
Os telejornais passaram a despejar violência sobre
o tapete da sala, aos pés de nossos sofás. Era
como se dispuséssemos de um eficiente sistema de
miséria encanada. Tão simples quanto virar uma torneira
ou acionar o interruptor, bastava apertar o botão
da TV. Embora violenta, a miséria ainda nos excluía.
Súbito, a miséria cansou de esmolar. Ela agora
não pede; exige. Ela já não suplica; toma.
A miséria não bate mais à nossa porta; invade.
Não estende a mão diante do vidro do carro; arranca
os relógios dos braços distraídos.
Acuada, a cidade passou de opressora a vítima
dos morros. No Brasil de hoje, a riqueza é refém da
miséria.
A constituição do perfil da miséria no Brasil está
diretamente relacionada com a crescente modernização
do país.
SOUZA, Josias de. “A vingança da miséria”. Folha de S. Paulo, São
Paulo, 31 out. 1994.Caderno Opinião, p.2. (Adaptado)
16 / 02 / 2010 Falhas de medição invalidam tese do aquecimento global, diz cientista



Um cientista entre os chamados "céticos do aquecimento global" defende que boa parte dos dados que apontam o aumento da temperatura do planeta devem ser ignorados porque milhares de estações de medição espalhadas pelo mundo estão sendo afetadas por condições que distorcem os seus resultados.
O meteorologista Anthony Watts afirma em um novo relatório que "os dados sobre a temperatura global estão seriamente comprometidos porque mais de três quartos das 6 mil estações de medição que existiam no passado não estão mais em funcionamento".
Watts acrescenta que existe uma "grave propensão a remover estações rurais e de altitudes e latitudes mais altas (que tendem a ser mais frias), levando a um exagero ainda maior e mais sério do aquecimento".
O relatório intitulado Surface Temperature Records: Policy Driven Deception? (algo como "Os Registros das Temperaturas da Superfície: Mentira com Motivação Política?", em tradução livre) foi publicado de forma independente, e não em revistas científicas - nas quais os artigos de um autor passam pelo crivo da análise de colegas.
Mas outros pesquisadores apoiam a análise de Watts, incluindo o professor de ciências atmosféricas John Christy, da Universidade do Alabama, que já esteve entre os principais autores do IPCC - o painel da ONU sobre mudanças climáticas.
Evidências

Entre as evidências citadas por Watts para defender sua tese está uma foto que mostra como a estação de medição no aeroporto de Fiumicino, em Roma, está posicionada atrás da pista de decolagem, recebendo os gases aquecidos emitidos pelas aeronaves.
Outra estação de medição está instalada dentro de um estacionamento de concreto na cidade de Tucson, no Arizona.
Essas são situações que, segundo o cientista, afetam o uso dos solos e a paisagem urbana ao redor da estação, refletindo muito mais as mudanças nas condições locais do que na tendência global da Terra.
Na América do Sul, o pesquisador afirma que as estações que medem a temperatura nas altas altitudes deixaram de ser consideradas, levando os cientistas a avaliar a mudança climática nos Andes por meio de uma leitura dos dados na costa do Peru e do Chile e da selva amazônica.
Para o pesquisador, estas falhas tornam "inútil" a leitura dessas medições colhidas em solo. Watts sustenta que o monitoramento via satélite é mais exato e deveria ser o único adotado.
Homem e meio ambiente

O debate provocado pelo professor é lenha no fogo da discussão que opõe cientistas para quem o aquecimento global, se existe, é um fenômeno natural - e tem precedentes na história da humanidade - e cientistas para quem o efeito é causado pelo homem e acentuado pelas emissões de gases que causam o efeito estufa.
Nos últimos anos, os cientistas que alertam para as causas humanas por trás do aquecimento conseguiram fazer prevalecer sua visão, sobretudo no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) da ONU, que recebeu inclusive um prêmio Nobel da Paz.
Em uma espécie de "contra-ataque dos céticos do aquecimento", o órgão da ONU foi obrigado no início deste ano a admitir que se equivocou em um dado que apontaria para a possibilidade de as geleiras do Himalaia derreterem até 2035.
No fim de semana, o cientista por trás deste equívoco, Phil Jones, disse à BBC que seus dados estavam mal organizados, mas que nunca teve intenção de induzir ninguém ao erro.
Jones, que é diretor da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia, disse estar "100% confiante" de que o planeta está se aquecendo e de que este fenômeno é causado pelo homem.
O cientista afirmou ainda que as disputas entre os pesquisadores - a "mentalidade de trincheiras", como ele se referiu - só prejudicam a discussão objetiva da questão.
(Fonte: BBC / G1)